segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

o MEU Concelho. o MEU herói.

(Fotomontagem que compus para o 1º aniversário da restauração que comemorei no executivo, em 2006, que apresenta em 1º plano o Dr. Mattos Magalhães e o nosso castelo, tendo como fundo a acta da reunião extraordinária que assinala o acontecimento. Clique para ampliar)

Pensei diversas vezes se isto era conversa para aqui chamada ou antes assunto para ser debatido noutras instâncias, mas pareceu-me que aqui era bem pelo simples motivo que o facto gerador desta tasca cibernética foi precisamente o de eu poder dizer o que me vai na gana sem fazer concessões.

Assim sendo,

Na quinta-feira passada comemorou-se mais um aniversário sobre a restauração do concelho de Marvão e não estou a falar de restaurantes mas sim de restabelecimento.

A 24 de Janeiro de 1898, muito por força de um tesudo chamado Mattos Magalhães, a rapaziada de Marvão trazia de volta para estas paragens a autonomia concelhia que andou arredada lá para os lados de Castelo de Vide por força das remodelações administrativas que surgiram no seguimento da Revolução Liberal.

110 anos depois, para comemorar a efeméride, o município local encomendou foguetes de manhã, foguetes à noite, e organizou um sarau simbólico na Casa da Cultura, antiga sede camarária. Houve lugar a discursos e abordagens históricas, poesia popular, uma actuação do Coro Infantil dos Assentos e um ligeiro beberete com chá quentinho e bolinhos.

Coisa pouca… mas sentida.

Não fossem os familiares das crianças do Coro a darem calor humano à sala e poderia eu bem dizer aqui que a assistência seria um óbvio reflexo daquilo que nós somos hoje enquanto membros desta entidade que é Marvão.

Poucos e dispersos.

Eu sei que as noites são frias. Eu sei que por coincidência de calendário, os compadres reuniam também nesse serão. Eu sei que alguns vivem longe. Eu sei muitas coisas e nessas muitas coisas que eu sei, também sei que é pena.

É pena porque já estou farto que me digam que é por causa do morro que Marvão fala a duas vozes. Realmente, o morro é alto mas a volta dá-se depressinha. Na verdade, eu, numa hora e meia de corrida e andamento, passo pelas quatro freguesias, indo pela Ponte Velha, Portagem, Fonte da Pipa, Abegoa e Santo António. Às vezes vou á ponte dos Vales de propósito só para pôr um pé na freguesia da Beirã e sentir que estive nas quatro. Sei que isto pode soar um pouco estranho a ouvidos alheios mas a mim sabe-me muito bem quando o faço.

É uma pena porque no meu concelho, as pessoas, não são capazes de pensar que está nas suas mãos o fazer de todas as vontades, uma vontade só.

É o egoísmo e não a geografia que condicionam a nossa unidade.

Se o querer fosse mesmo poder. A coisa saía como uma força que ninguém pode imaginar.

Maneira que nessa noite, onde podemos medir o pulso à nossa consciência municipal, onde podemos psicanalisar a nossa vida conjugal concelhia, eu senti-me triste cá dentro, embora sorrindo.

Falar é fácil e pensadores não faltam por aí mas mesmo aqueles que hoje ocupam cadeiras do poder que é dado por todos, faltaram à data e ao convite que os seus próprios antepassados lhe legaram com tanta solenidade.

Vi lá muito poucos Presidentes de Junta e membros de Assembleias de Freguesias.

Vi lá muito poucos deputados da nossa Assembleia Municipal (quase nenhuns).

Senti mesmo a falta de alguns vereadores.

Vi que faltou muita gente que devia de lá estar, não falando sequer nos populares, nas gentes das aldeias, das povoações, dos lugares de Marvão.

E a razão porque faltaram a este encontro com a história é simples: faltaram, e não lhes pesa na consciência, porque a matéria de que ali se tratava era de interesse menor. Caso contrário, estou certo que marcariam presença.

E isto é o que temos e digo-o resignado e sem remorsos.


Naquele então, a nossa autonomia esteve ameaçada e agrilhoada.

Hoje, a ameaça reformadora paira sobre nós e os horizontes que se vislumbram nos tempos mais próximos são tudo menos sorridentes.

Se o Sócrates e a sua canalha lá de Lisboa, os que só querem números e rácios, decidirem um dia dar a volta ao texto e apagar com a borrachinha as fronteiras do nosso concelho para o juntar a outro qualquer, não irão encontrar grande resistência.

Ou muito eu me engano ou isto em Marvão é coisa para demorar pouco e dar ainda menos trabalho.

Que pena!


PS: Mas a mim têm de me roer os ossos e são capazes de serem tudo menos moles!!!!

15 comentários:

Garraio disse...

Iô, Iô, Xô, toma e embrulha... e todas essas coisas tipo “toma lá que já apanhaste”.

Os meus ossos, que não devem ser menos duros que os do tasqueiro, também querem morrer nesta batalha, se ela tiver que se celebrar.

Este foi dos recados mais bem dados pelo Pedrovsky desde que esta tasca é tasca. E eu, sem pertencer á elite política local, até me salvo, porque fui ver os meninos dos Assentos a cantar e remeti para casa, à francesa, não fossem pensar que eu tinha lá ido para comer e beber, que é aquilo que lá vão fazer uma série de gajos, assinantes eles deste tipo de actos públicos.

Só tenho uma objecção a fazer, que é de menor importância, mas que gostaria de esclarecer: Membro da Assembleia não é deputado, é simplesmente membro da Assembleia, porque o deputado tem o poder de legislar e o outro não. Cada galo no seu poleiro.

Sempre que puderes dá-lhe estopa, que estamos a perder audiência... ;)

João Bugalhão disse...

Será que o munícipe Pedro nos poderá informar a quantas comemorações de Restauração do Concelho já assistíu ao longo da sua vida?...e em que anos?

Garraio disse...

Aparece o mister e utliza a táctica:

" A melhor defesa é um bom ataque..."

Como o Fernando era médio, senão estou enganado, ficamos na expectativa de saber como é que ele vai entrar em campo...


Oi, Luís... tudo bem aí por essa Ocidental Praia Lusitana???

Tamos aqui, tamos a organizar outra marcha dos cágados... esta vez vai ser no durooo.
Brevemente, notícias frescas sobre o evento.

Luís Bugalhão disse...

aventa-lhe garraio! vamos a isso!

cá ando, atento, mas caladinho. não posso beber, a minha religião não permite, e por isso tenho evitado as tascas... ;-DDD

abraço a todos

Bonito disse...

Se a sobrevivência do concelho dependesse da presença de gente nestes “eventos” mais ou menos culturais e mais ou menos repetitivos, que raramente surpreendem quem está presente, estávamos nós bem! Eu ia. Levava a mulher, a filha, os pais, etc… só não levava o cão e o gato porque, como já disse, não concordo em fazermos dos animais nossos reféns!

Depende, quanto a mim, de outras coisas. Algumas por aqui já discutidas!

Depende da iniciativa privada e do papel facilitador e visão estratégica da iniciativa pública…

Por exemplo, ajudava termos estado presentes na “Qualitas – Cores e Sabores” em Badajoz, no passado fim-de-semana, promovendo o nosso produto de eleição: o turismo!

Mas, enfim, não existiu visão própria para lá estar, nem visão da autarquia organizadora (Portalegre) para apresentar Marvão como uma mais valia na promoção da região (nordeste alentejano) e dos seus produtos…

Dupla falta de visão estratégica… digo eu!


Grande Abraço
Bonito Dias

Jorge Miranda disse...

Sendo um bocadinho mais duro que o Bonito, as pessoas não vão a esses eventos, porque estão fartas de ser enganadas, quer a nível nacional quer a nível local, por demagogos que pensam que a politica é chegar ao poleiro. Porque as promessas nunca chegam a ver a luz do dia, ficam esquecidas na noite da comemoração da(s) vitória(s).

Garraio disse...

joder... ostin putin!!!!!!

Pedro Sobreiro disse...

Ah, nada que eu não esperasse!

Redondamente enganados, meus amigos, porque o caminho não era por aí.

Esclareço que o meu texto era um desabafo e não uma acusação.

Tratava-se aqui de espelhar um estado de alma, um pesar por uma falta de unidade, e os senhores apressaram-se a enfiar a carapuça e a reagir, de forma incisiva, cada uma à sua maneira.

Recordo que falei de muita gente…

Aos dois que responderam com supostas culpas no cartório, terei que fazer uma menção especial.

Eu falei de bem e o eco que me chegou trazia maldade.

O muro de acusações aqui erguido merece-me dois comentários dirigidos e um apontamento final.

Ao Bugalhão, o mais sintético e directo, respondo-lhe que ao longo dos anos já estive presente em diversas comemorações da restauração do concelho mas essas nem sequer para aqui são chamadas porque o que realmente interessa para o caso é que desde que sou autarca, desde que exerço funções deste género, não faltei nem faço intenções da faltar a uma que seja. E digo mais, agora que estou muito mais desperto e consciente da necessidade e da importância de estar presente, tudo farei para marcar número em todas as que se seguirem.

O Bonito foi mais refinado e deixou uma série de “beliscadelas” e insinuações que faço questão de dissecar:

- Em primeiro lugar, estes eventos são eventos com todas as letras e não entre parêntesis porque é disso que se trata, e sim, são de âmbito cultural seja qual for o prisma de que se observem porque é a nossa cultura que está em questão;

- É óbvio que têm de ter um carácter repetitivo tal como qualquer outro aniversário ou comemoração que seja assinalada por imposição do calendário. De uma data deste género, não se pode inventar uma Expo 98: há-de sempre passar pelos discursos da praxe e por uma manifestação artística, que no ano passado foi teatral e neste ano, musical;

- Ninguém disse aqui que eram estes eventos que iriam garantir a independência do concelho. Se alguém o fez, fostes tu. O que eu disse é que era uma cerimónia carregada de simbolismo e que merece todo o respeito e atenção;

- Quanto à última farpa, a da acusação de falta de visão estratégica para estar na “Qualitas” em Badajoz, não consigo olhar para ela sem sorrir de soslaio. É uma entrada a pés juntos que merece desvio para evitar males menores e que passo a justificar.

Este é um evento organizado pelo Município de Portalegre que teve a gentileza de nos convidar atempadamente para estarmos presentes e só não fomos porque o senhor Presidente do actual executivo em que me incluo, achou que os montantes implicados não justificavam o investimento.

E ponto final.

Como sabes, tenho excelentes relações profissionais e até pessoais, de amizade, com os membros dos dois executivos, Portalegre e Badajoz, que são fruto dos eventos de sucesso que temos realizado em conjunto. Convites não nos faltaram. O que faltou foi a vontade superior de quem por cá manda, e essa sim, quando não existe, obsta a que se avance.

Não quero ser aqui advogado de defesa de ninguém, mas a verdade é que este tipo de iniciativas não é inédito para nós. Já tivemos oportunidade de participar nalguns eventos do género, nomeadamente no pavilhão do Ifeba em Badajoz e em Cáceres, precisamente com Castelo de Vide e Portalegre, no âmbito do Triângulo Turístico, e o retorno que tivemos ficou muito distante das nossas expectativas.

O Turismo é um ramo de negócio que exige muita qualidade e um alto nível de investimento. No Turismo não pode haver meias apostas, sob pena de se cair no ridículo. É uma área onde o profissionalismo, a qualidade e a imagem têm de ser extremas e os riscos medidos ao milímetro sob pena de nos estarmos a fazer a um cruzamento e nem ficamos na baliza, nem chegamos à bola antes da cabeça do adversário.

No ano passado, creio que pela primeira vez na linha da frente por conta própria, estivemos na Bolsa de Turismo de Lisboa e o sabor que ficou na minha boca foi amargo como o fel. Éramos apenas uma singela gotinha de água num enorme mar de investimentos e de transacções que nos passaram irremediavelmente ao lado.

Será que Marvão tem potencial para estar nos grandes palcos do Turismo mundial? Na minha opinião, sem dúvida alguma. Só assim se explica o facto de ter sido Marvão a jóia da coroa de uma campanha milionária do nosso país, de TODO o nosso país, desenvolvida pelo Turismo de Portugal no Reino Unido.

Agora, para jogar na Liga dos Campeões, tem de se apostar forte, meu amigo. São competições onde não podemos jogar com plantéis de 3ª linha. Ali o jogo é fogo e o dinheiro tem de ser muito e o nível de “expertise” tem de ser total.

Faz falta a este “natural spa” como lhe chamaram, muito, muito dinheiro para poder ser grande e para isso é preciso haver vontade e total concentração de sinergias de quem dirige e essas, tu sabes melhor que ninguém em que ponto estão.

Por isso, música, eu gosto muito, mas é quando me apetece ouvi-la.

Falas como se não tivesses o conhecimento de causa que tens e isso não é justo.

Ainda assim, não admito que me digas que não há visão nesse sentido. Nós fomos quem teve “tomates” para com recurso aos orçamentos próprios de cada um dos 3 municípios, arranjar uma “barraquinha” que por muito fraca que fosse como já aqui admiti, ainda assim fez melhor figura que o stand e o orçamento chorudo da Região de Turismo de São Mamede, que se diluiu na ARTA e mal se via.

Fomos pequenos, mas fomos humildes e honrados.

Podemos não ter feito grande mossa, mas pelo menos provámos aos outros e a nós próprios que éramos capazes e se fomos então com tão pouco, se mais houvesse…

Para finalizar, o tal apontamento, que nem sequer merece ser um comentário, para o Jorge Miranda, que eu sinceramente cada vez tenho mais dificuldade em compreender.

Teria mesmo de começar por perguntar, a ele sim, o que é que alguma vez fez por Marvão, pelo seu concelho? E por aqui podia ficar antes de lhe dar a liberdade de atirar pedras aos outros sem sequer ter dado provas ele próprio do que quer que fosse.

Tratando os políticos como demagogos, em sede própria e no seguimento da conversa que aqui mantemos, não posso deixar de pensar que a mim se dirige.

Não faço a mais menor ideia de que promessas esquecidas me fala mas deve de estar a fazer confusão porque da minha parte, nem ele nem ninguém ouviu a mais pequena que fosse quer durante, quer após o período eleitoral. Para já, não me considero um político”tout court”, mas uma vez que o “hábito faz o monge” e já que estou investido no cargo, tenho de lhe responder à letra. Pode ter ouvido falar de propostas, de linhas de acção, muitas das quais ficarão por cumprir por muitas e variadas razões, mas não por falta de trabalho e de querer.

A grande diferença nesta história da política é que as pessoas têm, a meu ver, de ser divididas em dois tipos: as que dão o corpo ao manifesto e as que não dão, podendo entre estas por sua vez ser divididas entre as que ainda assim querem ajudar e as que ficam de lado, na berma da estrada, a ladrar à poeira da caravana que já passou.

O MEU serviço público está já na recta final. Os QUATRO anos de voluntariado pela minha terra estão mais próximos do que pensamos porque tão depressa corre o tempo agora. Independentemente da análise que cada um legitimamente fará então, eu terei a minha, que já vai sendo construída, e que será a que verdadeiramente me importa.

Será então altura de outros que prezam este chão onde nasceram, trabalham, vivem ou hão-de morrer, se chegarem à frente com as suas propostas.

Será então uma boa oportunidade para ti e para todos os que se escondem tantas vezes nas vielas das entrelinhas, os que só saem da escuridão para mandar umas pedradas em tudo o que mexe, darem a cara e serem homenzinhos.

Falar é fácil, Jorge, sobretudo quando não se sabe a importância do que se diz!

Bonito disse...

Assim sim...isto está interessante!

É que a tasca já estava a ficar um pouco amorfa…

Apenas dois reparos:

1 – Ao Jorge Miranda – Generalizar adjectivos sobre todos os políticos… é excessivo. É uma opinião tão demagógica como a demagogia a que te referiste!

2 – Ao Tasqueiro – Por vezes, parece-me, vês ataques pessoais onde eles não existem. Sofres um bocadinho de “Quixotismo” e atiras-te a moinhos de vento. Digo eu!


Grande Abraço

Bonito Dias

Clarimundo Lança disse...

Com amigos destes, quem precisa de inimigos.

Garraio disse...

" E já na parte final do jogo, entra o amigo Clarimundo em campo!

Tocou poucas vezes na pilota, mas jogou sempre prá frente e não falhou nenhum passe..."

Bonito disse...

Amigo Clarimundo: já há muito tempo que por aqui não aparecias.

Bem-vindo.

Surgiste, agora, com apetites “necrófagos”. Enganaste-te. Não há carne dessa para comer!!!!

Estás com azar. Podes esperar sentado!

Grande Abraço
Bonito Dias

John The Revelator disse...

HAHAHAHAHAHA

"Tocou poucas vezes na pilota, mas jogou sempre prá frente e não falhou nenhum passe..."

Garraio cada vez mais próximo de um Gabriel Alves. Demais!

Jorge Miranda disse...

Pedro, quando falei em demagogos, não particularizei a tua pessoa, obviamente que existem políticos que não são demagogos, mas deixa-me dizer que não merecia a tua resposta.

Quero apenas dizer-te 3 ou 4 coisas;

­Reconheço o teu trabalho e esforço em prol do concelho…

­Não vejas inimigos onde estão os amigos, e amigos onde tens os inimigos …

­Tens que aprender a lidar melhor com as criticas e compreender que da minha parte não existe qualquer ataque pessoal…

­Disse-te uma vez que te expões demasiado…sem necessidade.

­Em relação ao serviço de voluntariado, neste momento és pago para isso…

Uma promessa, não volto a comentar assuntos relacionados com o Município de Marvão.
Um abraço

Clarimundo Lança disse...

É próprio dos fortes, quando levam pa tabaco, viram-se pró cão e vai de pontapé.
Já me tinham chamado muita coisa agora abutre, fica sabendo que eu não como qualquer carne, muito menos putrefacta e ainda muito menos pela tua mão.
Estou com azar, não azia, e já comecei a caminhar, não sou de ficar sentado a espera de ordens.
Sorte pró futuro.
Dois abraços
Mota Lança