segunda-feira, 4 de março de 2013

A minha declaração de amor definitiva



Da minha fase de renascimento após o acidente e antes do recomeço do blogue, decidi  ir procurar ao baú para repescar alguns dos textos que ficaram nesse período e se podem perder na internet para sempre.


Assim, plasmados aqui no meu blogue, fico certo que perduram.

Desses textos facebookianos, resgato a minha declaração de amor definitiva, a que fiz à minha mulher Cristina pelo dia dos namorados.  


“Feliz Dia de São Valentim! Feliz dia dos namorados! Feliz dia dos namorados não para todos, mas para a minha Cristina. Ou como nós lhe chamamos os dois, “Dia dos namorados casados” que é o nosso caso. Isto porque o dia dos namorados é um dia como outro qualquer que vale apena pela data, como o dia do pai, o dia da mãe, ou qualquer outro. Se for apenas pela data, com fins meramente mercantilistas, não vale a pena vivê-lo com sentido. Mas como nós os dois o vivemos, assim sim. “Dia dos namorados casados” porque todos os dias estamos casados como namorados, o que significa termos de conquistar o outro, todos os dias. Não nos tomarmos um ou outro como coisas garantida, como algo que se tem para sempre. Termos sempre uma atenção, um gesto, um sorriso que marque o dia. Vou-vos ensinar uma que aqui também dá para fazer confissões. Ainda hoje usamos o gesto que usávamos quando éramos solteiros e não podíamos dizer aquilo que queríamos à frente dos outros. Quando fechamos os olhos duas vezes seguidas, queremos dizer “Amo-te tudo para sempre”. Pequenos gestos que são só nossos e nos marcam.


A Cristina é a mulher da minha vida. Sempre foi. A pessoa que eu mais gostei de conhecer neste mundo. A pessoa que me diz mais. A pessoa de que eu gosto mais. Mais do que qualquer outra pessoa que eu ame desmesuradamente. Mais do que a minha mãe, mais do que o meu irmão, mais até do que as minhas filhas. Mais até do que as minhas filhas! E porquê? É simples: foi ela que me as deu. Sem ela nunca as poderia ter. Até nisso!


A nossa história de amor é linda e merece ser contada. Sempre namorámos os dois. Desde sempre. Desde os tempos do ciclo em Castelo de Vide, tinha eu 14 anos e ela 12. Ela era apenas a irmã mais nova da minha colega Paula Lança, que era da minha turma desde o 7º ano. Esta cena passou-se para aí no 9º ano. Nunca falei, nem escrevi sobre isto, mas estávamos sentados debaixo dos arcos de entrada do edifício antigo da escola em Castelo de Vide. Chovia. Recordo-me que estávamos a conversar sobre qualquer coisa. Eu acho, segundo me lembro, que não lhe tinha pedido nada. Ela disse-me que ia pensar e depois me dava a resposta. Eu fiquei-me. “Se assim é, assim seja!”.


Depois começámos a namorar. A primeira vez. Para mim, era só a irmã da minha colega Paula que tinha a minha idade com dias de diferença porque ela faz anos em Abril e eu faço em Junho. Tinha menos dois anos que nós, o que naquela altura era muito. Mas simpatizei com a cara linda da pequenina e gordinha e ficou. Foi ficando. Nos anos que se seguiram, quando eu mudei para Portalegre e fiquei deslumbrado com aquele mundo todo louco dos liceus e moda e música e malta nova, tive uma série de outras namoradas. Todas lindas (hã? É bom que se diga). Mas entre cada uma delas, voltava sempre à Cristina Lança. Era de quem eu realmente gostava. Por quem o meu coração batia. Ela também foi tendo outros namoradinhos porque era um artigo de qualidade e para santa não tem jeito. Mas voltávamos sempre ao mesmo, um ao outro. Isso é que interessa. Os namoros de escola nem sempre são “tapados”. Nem sempre são de pessoas que nunca conheceram o beijo de outra. Os namoros de escola podem assim ser como o nosso: sincero, verdadeiro, puro. Falo por mim: as outras mulheres que fui conhecendo durante a minha vida foram boas para mim, foram minhas amigas, quero-as bem a todas e hoje temos uma relação distante porque a vida nos afastou, mas quero-as bem. Não tenho nada contra nenhuma e se tiverem alguma coisa contra mim, só tenho é de aceitar. Elas podem querer-me mal, (coisa que eu não acredito que aconteça lá no fundo do coração delas porque sempre fui correto e verdadeiro com elas) mas eu quero-lhes bem. A verdade é que foram acidentes de percurso do meu amor, lamento, da minha história de amor com a Cristina, do meu amor pela Cristina, da nossa história de amor.


Esta mulher é pequenina mas poderosa. Se tivesse mais um palmo de altura e fosse o mesmo de poderosa, ainda melhor. Isso é que era 5 estrelas. Mas nós também não estamos no céu, graças a Deus e nem tudo é perfeito. Se alguma dúvida ou vacilação tivesse quanto ao seu amor (que não tinha!) ficaria apagada com tudo o que se passou depois do meu acidente do ano passado. Esta mulher largou tudo, tudo, tudo… por mim. Deixou as filhas, os pais, a casa, o emprego por mim.


(entre parêntesis mesmo: a nossa casa para a qual vieram viver os meus queridos cunhados Paula e Bonito, a minha querida afilhada Maria e também os meus queridos sogros, num gesto que me deixa sem palavras até a mim, para que a Leonor e sobretudo a Alice não sentissem tanto a falta do pai e da mãe. Largaram tudo por nós, tudo por mim. Por mais que eu viva, nunca hei-de saber agradecer isso. A não ser com meras palavras como estas. Que são apenas palavras, mas são muito sentidas. Vêem cá mesmo do fundo do coração).


Para além do seu amor, a Cristina brinda-me todos os dias com frases como: “A casa é tão triste sem ti. Se te acontecesse alguma coisa, vendia-a porque só tem coisas que me fazem lembrar de ti. Esta casa sem ti fica vazia. Nem parece que é a nossa. Só é a nossa contigo”.


“É tão bom ter-te”. E ela explica-me como é isto de uma maneira que me deixa desarmado: “Eu  já sei o que é viver sem ti e não te ter. Quando estavas em Lisboa ligado às máquinas, ao ventilador artificial para respirares”.


As mesmas máquinas que um dia a assustaram muito porque ela, coitadinha, fazendo o que os médicos lhe pediam para fazer, me levou um dia o meu perfume para ver se me trazia recordações. Deu-me a cheirar o Farnheit  e a minha reacção foi tal que mesmo estando em coma, reagi muito ao ponto de as máquinas começarem todas a apitar e darem sinal. Ela ficou aflita e correu a chamar alguém que ajudasse. O pessoal especializado ficou contente porque era sinal que me tinha trazido recordações. E eu que podia ficar em estado vegetativo para sempre, preso, amarrado a este corpo, com vida mas sem vida, reagia. Isso era bom. Pequenas vitórias que me trouxeram até esta grande vitória que é a vida hoje.


A minha prenda é esta e sei que para ti é a melhor: estar vivo, bem de saúde e capaz de fazer este texto para ti. Dedicar-to depois desta noite em que dormimos mais uma vez separados por causa e por vontade da nossa filha Alice que esta noite nos deu a prenda de não querer dormir contigo como faz sempre, mas sim comigo. Agarradinha a mim, toda a noite. Sem calças e sem meias, claro, sempre como ela sempre faz, mas agarradinha a mim.


Hoje sou eu que te digo e aqui para que todo o mundo saiba que “Amo-te tudo para sempre. É tão bom ter-te e poder contar contigo todos os dias. Graças a Deus.” Tu agora olhas para mim muitas vezes e eu estou em silêncio, sozinho. O que estou a fazer quase sempre é a rezar, a dar graças a Deus, a agradecer por viver o momento e poder desfrutar da vida, das nossas filhas, de ti. Graças a Deus que não dorme e não se esquece de quem o ama. Graças a Deus


Post scriptum: se tiver algum”não gosto” neste texto, já sei que é o dela. Porque me pediu que não o fizesse. Deixei-lhe uma nota escrita em casa antes de almoço a dizer: “Feliz Dia dos Namorados. Desculpa não ter feito nada mas estive a fazer a tua prenda de tarde no facebook. Ainda não meti. Lê de tarde. Fui à piscina. Só devo voltar à hora de almoço. Amo-te tudo para sempre. Pedro”. Pediu-me para não meter porque para ela “há coisas só nossas e se no facebook há muitos amigos, também há muita gente invejosa e que nos quer mal.” Eu sei que ela tem razão, como sempre tem. Mas mesmo assim, mesmo que haja gente que não gosta de nós e nos inveja e quer mal, também há muita gente que nos quer bem e para a qual eu escrevo. Os que nos querem mal… azar. Fiquem lá com as macumbas e os votos de mal querer que eu quero é que vão para o inferno. Eu até tolero que haja gente que não goste de nós, que coma só as batatas fritas e nos meta para o lado. A esses tolero. Respeito. Estão no seu direito. Agora, aqueles que nos querem mal, sou capaz de lhes fazer tudo. Para defender a minha família e os meus amigos do coração, até de matar, acho que sou capaz. Espero que a Polícia Judiciária ainda não tenha facebook mas se tiver, que se lixe. Eu respondo. Eu estudei direito na faculdade,com o bom  do Basílio Horta que antes era do CDS e agora é deputado do PS, (Amolou-se, porque senão estava no governo. Mesmo que tenha facebook e veja, agora que já não é meu professor: vira-casacas!) e sei que uma pessoa não pode ser julgada só pelas intenções. Se assim fosse, estavam os tribunais e os infernos 

4 comentários:

Vera Barroqueiro disse...

Lindo ! :) É isso mesmo Pedro, não se deixem afectar por pessoas infelizes que não suportam ver pessoas felizes! Pessoas boas merecem coisas boas, e elas acontecem quando menos esperamos, e pensamos que já não há nada a fazer!
O vosso amor é lindo! :)

Helena Barreta disse...

Viva o amor. Viva o vosso amor. Felicidades.

Um abraço

Ilda disse...

Gostei muito de ler!
E ainda bem que voltas-tes a escrever no blog,também fui uma das que nunca retirou dos favoritos e de vez em quando passava a ver se havia noticias!
Desejo que passem muitos anos!
Bjs

José Gabriel disse...

I like , abraço Pedro